Harmonia que transcende [in:ROOF 17]

Optimista

HARMONIA QUE TRANSCENDE

 

Há lugares que toda a gente deveria visitar. Há pessoas que todos deveriam conhecer. Foi isso que sentimos quando visitámos o Optimista e conhecemos Rita Andringa e Filipe Rocha. O nome do restaurante, que abriu em 2017 no Cais do Sodré, em Lisboa, antecipa o que lá podemos experienciar. Segundo o dicionário, otimista é “relativo ao otimismo” que, por sua vez, refere-se ao “costume ou sistema de achar que tudo é ou resultará o melhor possível”. Depois de conversarmos com Rita e Filipe percebemos o porquê desta escolha. E também percebemos que tudo ali é feito com muito amor. O casal, com a ajuda preciosa de Pedro Ventura – o terceiro elemento desta parceria – deu lugar, e cara, a um sonho. Dos pratos à decoração, da banda sonora às peças de arte, tudo habita perfeitamente.
(…)

Publicado na ROOF 17

 

 

Texto: Isadora Faustino
Fotos: Luís Ferraz

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Diogo Lopes/Observador

Rua da Boavista, 86, Lisboa (Cais do Sodré); Das 12h às 14h30 e das 19h às 23h (sábado das 18h às 00h, domingo e segunda fecha); 213 460 629; 30€ (preço médio)

Rita Andringa e Filipe Rocha sempre gostaram de cozinhar. Entre as jantaradas em sua casa e as refeições ligeiras que serviam na cafetaria do Carpe Diem Arte e Pesquisa, chegaram à conclusão que queriam levar tudo isto mais a sério e partir para um restaurante “a sério”, que servisse almoços e jantares todos os dias. Assim nasceu este Optimista, a mais recente casa de comidas da faixa quase neutra entre as zonas do Cais do Sodré e Santos.

Com uma dupla de cozinheiros (André Andrade e Pedro Correia) à frente do receituário moderno mas muito ligado à tradição portuguesa e suas influências estrangeiras, os pratos deste Optimista começaram a servir obras de arte tão especiais quanto as que aparecem penduradas nas paredes — a componente “Arte” foi muito importante para Rita, que decorou o espaço inspirada no Pap’Açorda, um dos seus restaurantes favoritos — desta antiga loja de motores agrícolas. Tanto nos menus de almoço mais condensados como nas versões para jantar mais extensas é possível encontrar pratos como o bife do espelho da pá na pedra com xerém frito e, ovo a baixa temperatura e pickles (19€), a tomatada com infusão de alecrim e ovo escalfado (5€) ou a feijoada de choco com arroz (10€). Para sobremesa não deixe escapar o leite creme com infusão de alecrim (4€).

Artigo atualizado às 15h58 de dia 15 de novembro de 2018

O lado positivo da cozinha mora em Lisboa / Optimista [in:mutante]

O lado positivo da cozinha mora em Lisboa / Optimista

As cartas são inspiradas, sobretudo, no receituário regional do nosso país. Cada garfada aviva memórias, sabores deixados pelas nossas avós, pais ou tios que já foram cozinheiros. Tudo é saboreado num ambiente descontraído e pensado ao pormenor.

O espaço, localizado entre o Cais do Sodré e Santos, é pequeno, mas muito acolhedor. As seculares arcadas deixam antever Pureza, a mascote deste espaço optimista, luminoso, confortável e determinado pelo cruzamento entre o clássico e o contemporâneo. Os autores são Jorge Guimarães, arquitecto, e Rita Andringa, designer de interiores, que deixaram o lambril em pedra e o pavimento hidráulico mostrarem o seu valor. Sem esquecer a arte, elementos importante neste conjunto de peças que comungam com as cerâmicas discretamente distribuídas pelas arcadas, a tapeçaria da Ferreira de Sá, de Espinho, os quadros e a fotografia.

Tudo tem uma explicação. Filipe Rocha e Rita Andringa concretizaram, finalmente, o sonho de abrir um restaurante. Depois dos supper clubs em casa e da Cafetaria Carpe Diem, no Bairro Alto – onde a arte a comida se conjugavam no mesmo espaço –, ambos abriram as portas deste Optimista em Outubro de 2017. Ao casal juntou-se, mais tarde, Pedro Ventura, que assistiu, desde o início, a este projecto. Cada um tem um papel importante neste espaço: Filipe é a presença assídua na sala, sempre com um olho na cozinha; Pedro prefere a hora do jantar e contribui para a harmonização vínica com os pratos; e Rita tem a missão de verificar cada detalhe, desde a decoração ao empratamento.
Sentemo-nos. À mesa, de tampo em mármore português, chegam os pratos, também eles de marca nacional, inspirados em receitas tradicionais portuguesas. Mas há cozinhas pelo mundo afora que também fazem do Optimista um restaurante de mão cheia. Os fornecedores estão, maioritariamente, no Mercado da Ribeira, além de outros mais especializados, como os queijos ou a broa, por exemplo. Por isso, que há no mercado é que vai para a cozinha e e trabalhado pela equipa liderada pelos chefs André Andrade e Pedro Correia. “Tentamos ser fiéis aos ingredientes. Respeitamos os sabores, as cores, as texturas”, garante Filipe Rocha.

A carta do almoço é composta por quatro entradas, cinco pratos – três do dia, sempre diferentes, e dois comuns à carta de jantar – e quatro sobremesas. A carta do jantar inclui clássicos e boas novas que vão surgindo ao sabor dos produtos da estação e do mercado.
Enquanto aguarda pelo início do almoço, talvez seja melhor começar pelo couvert – pão regional, manteiga composta, molho do Bulhão Pato e azeitonas – ou passar logo para as entradas. Aqui não falta a sopa da época que, tal como o nome indica, é feita a partir dos produtos… da época.

Para começar, recomendamos a tomatada com infusão de alecrim e ovo cozinhado a baixa temperatura acompanhada por fatias de pão torradas. O pica pau com berbigão e molho do Bulhão Pato é de comer até à última garfada, além de que é imperativo ter pão. Ou o xerém frito e lingueirão em maionese de alho confitado é outra da propostas do Optimista, ou os croquetes de rabo de boi, um clássico deste restaurante, ou as bolas de arroz recheadas com Queijo da Ilha.

Em suma, solicite a tábua portuguesa com a selecção de entradas parapartilhar com os amigos.

Para o prato principal a escolha é difícil. Há uma novidade: bife do espelho da agulha servido em seixo quente, por baixo do qual está um ramo de alecrim, e acompanhado com tiras de xerém – feito com caroulo ou farinha de milho – fritas, molho de cheiros e pickle de três pimentos.
Melhor ainda: há pastéis de massa tenra recheados com carne de vaca, tomada, beringela, cebola, alho francês e cenoura ralada. De comer e chorar por mais, até porque são servidos com um arroz de espinafres “de comer e chorar por mais”. Estes pastéis também são uma boa opção para quem é vegetariano, uma vez que a banha é substituída pelo azeite, na massa, e a carne é excluída do recheio.

O risotto de cogumelos e espargos, servido com a generosidade de uma casa portuguesa, pode ser uma das sugestões do chef para o prato vegetariano, assim como os peixinhos da horta também servido com arroz de espinafres.

A feijoada de choco é outra das opções, mas só quando for o dia deste prato na carta de almoço.

Os optimistas jamais declinam a sobremesa. Desde o irresistível bolos de chocolate da Pureza ao novo mil-folhas de massa brick, curd de ananás, mousse de coco, chocolate e frutos vermelhos. Farinha à parte, o primeiro é feito apenas com chocolate preto, manteiga e calda de açúcar e servido com amêndoa laminada coulis de framboesa e gelado de nata e manjericão. Há ainda leite creme com infusão de alecrim, o qual é queimado ao momento, como manda a cartilha.

De parte não fica a sopa fria de calabaceira. A harmonização do sumo deste fruto do embondeiro com os restantes ingredientes desta sobremesa reporta-nos para uma curta viagem com os navegadores portugueses, já que é constituída pela lima e pela tapioca do Brasil, pelos amendoins da Índia, pelos figo e pelos frutos vermelhos.

Aos apreciadores de cocktails, aconselhamos a respectiva carta elaborada por Maria Hipólito. Aos amantes dos vinhos, o melhor é espreitar a carta vínica sucinta, bem elaborada e recheada de boas sugestões de Norte a Sul do país, onde não faltam as castas, o ano, nem a região vitivinicola, bem como as especificidades devidamente agrupadas por referências vínicas.

A marcação do Optimista, no n.º 86 da Rua da Boavista, em Lisboa, é recomendada, seja ao almoço (das 12h00 às 15h30), seja ao jantar (das 19h00 às 23h00), através do 213 460 629.

Vale a pena ir. Bom apetite! •

Não sei bem o quê. Há novos pratos na ementa do restaurante Optimista, em Lisboa [in:visão]

As novidades da carta do Optimista, em Lisboa, confirmam aquilo que o restaurante sempre foi: bom senso, bom gosto e muito “savoir-faire”

Sara Belo Luís

SARA BELO LUÍS

Subdiretora

Na Rua da Boavista, perto do Cais do Sodré, o Optimista abriu em outubro de 2017
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Na Rua da Boavista, perto do Cais do Sodré, o Optimista abriu em outubro de 2017

Luís Ferraz

Pica pau com berbigão e molho do bulhão pato
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Pica pau com berbigão e molho do bulhão pato

Luís Ferraz

Peixe do dia, puré de couve flor e presunto , feijão verde salteado e couve kimchi à portuguesa
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Peixe do dia, puré de couve flor e presunto , feijão verde salteado e couve kimchi à portuguesa

Luís Ferraz

Bife do espelho da agulha, xerém frito ,molho de cheiros, pickle de três pimentos
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Bife do espelho da agulha, xerém frito ,molho de cheiros, pickle de três pimentos

Luís Ferraz

Je ne sais quoi – que, no título destas linhas, com boa-vontade, traduzimos para português como “não sei bem o quê” – é uma boa expressão para falar do Optimista e assim tentar explicar o que tem de especial o restaurante do Cais do Sodré. Está na moda e, ao mesmo tempo, não está. Tem uma decoração chique e elaborada, embora não em demasia. A cozinha é sofisticada, mas apenas quanto baste.

A carta – alterada em função do “mercado” e não tanto das estações, como explicam os três sócios do Optimista, Rita Andringa, Filipe Rocha e Pedro Ventura – continua a ser dominada pela gastronomia portuguesa, com uma ou outra incursão por outras cozinhas. Tudo com bom senso e muito bom gosto. Vejam-se os novos pratos e respetivos acompanhamentos (a carta de almoço é mais sucinta e está disponível de terça a sexta): muxama, mousse de algas e camarão e tosta de broa alentejana (€7); pica-pau com berbigão e molho de Bulhão Pato (€8); raviólis de bacalhau, molho de caldeirada, pimento assado e algas (€17); bife do espelho da agulha, xerém frito, molho de cheiros e pickle de três pimentos (€19); e mil-folhas de massa brick, curd de ananás, mousse de coco, chocolate e frutos vermelhos (€7).

Mantêm-se os best-sellers: xerém e lingueirão em conserva e maionese de alho confitado (€6); croquetes de rabo de boi e maionese de couve kimchi à portuguesa (€6); e peixe do dia, puré de couve-flor e presunto, feijão-verde salteado e couve kimchi à portuguesa (€16). Em equipa que ganha não se mexe, há coisas que nunca mudam ou, em linguagem otimista, “não sei bem o quê”.

Abram a Boca e Fechem os Olhos

http://www.abramabocaefechemosolhos.com/blog-1/2018/10/8/o-optimista

 A equipa, da esquerda para a direita: Pedro Ventura, Filipe Rocha, Rita Andringa, Pedro Correia, Maria Hipólito e André Andrade.

A equipa, da esquerda para a direita: Pedro Ventura, Filipe Rocha, Rita Andringa,

Pedro Correia, Maria Hipólito e André Andrade.

Optimista: Referente ao otimismo; que manifesta confiança num bom resultado ou desenlace; confiante em relação ao futuro em geral.

É assim que o dicionário da Porto Editora define a palavra. E é assim que os mentores deste espaço olham para o projeto. A ideia de abrirem um restaurante já vinha de longe, mas quando Filipe Rocha e Rita Andringa viram esta antiga loja de motores, pensaram: vai ser aqui. E foi! A eles juntou-se Pedro Ventura, um dos outros sócios.

É a Pureza, a unicórnio, obra do taxidermista João Fernandes quem nos dá as boas vindas. As paredes, com um pé direito bastante generoso, reúnem obras de vários artistas e estão todas à venda, incluindo a tapeçaria de seis metros cedida pela empresa Ferreira de Sá.

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Mas vamos ao que realmente interessa, a carta ou melhor, as cartas. Ao almoço, todos os dias há uma carta diferente, ao jantar a oferta mantém-se inalterável. Aqui, homenageia-se a cozinha tradicional portuguesa, mas não se vive agarrado a ela, as incursões por outras gastronomias são bem-vindas. André Andrade e Pedro Correia são a dupla de chefs responsáveis por nos trazer à mesa, como entrada: Tomatada com infusão de alecrim e ovo escalfado (€5) Xerém com lingueirão em conserva e maionese de alho confitado (€6) ou os Croquetes de rabo de boi com maionese de couve kimchi à portuguesa (€6), entre outras.

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Ao jantar, a oferta reúne oito pratos principais que incluem Raviolis de bacalhau, molho de caldeirada, pimento assado e algas (€17); Peixe do dia, puré de couve flor e presunto, feijão verde salteado e couve kimchi à portuguesa (€16), Cachaço de vitela com berbigão, puré de cebola, jus de rabo de boi xerém frito e salada (€19), Bife do espelho da agulha, xerém frito, molho de cheiros, pickle de três pimentos (€19), Croquetes de rabo de boi, arroz de tomate malandrinho e salada (€14), Espetada de frango e alho francês braseado com salada de couve roxa, laranja e frutos secos (€15). Pode ainda optar pela sugestão vegetariana do chef (€14) ou pela sua especialidade, quando há (€15).

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Nas sobremesas, não há que enganar, ao almoço são quatro: Bolo de chocolate da Pureza, o Unicórnio (bolo chocolate com coulis de frutos vermelhos, amêndoa laminada e gelado de nata e manjericão) (€7), Leite creme queimado ao momento (€4), Gelado de baunilha com hortelã (€3), Fruta da época laminada com mel e amêndoas torradas (€3).

Ao jantar, sugiro a Sopa fria de calabaceira com figo, frutos vermelhos, tapioca, lima e frutos secos (€6) e o Mil-folhas de massa brick, curd de ananás, mousse de côco, chocolate e frutos vermelhos (€7).

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Fotos: Luis Ferraz

Restaurante Optimista

Rua da Boavista, 86
1200-068 Lisboa

Tel. 213 460 629
info@optimista.pt
www.optimista.pt

De terça a sexta 12h às 15h30 e das 19h às 23h.
Sábado aberto só ao jantar.